olhei profundamente para dentro de seus olhos enquanto dirigia para longe do colégio, me
perguntando se estava fazendo direito. Eu usei meu tom mais persuasivo.
- Então eu sinto muito mesmo por ter te chateado.
Seu coração batia mais alto do que antes, e o ritmo estava abruptamente marcado. Seus olhos
se arregalaram, parecendo um pouco atordoados.
Eu dei um sorriso torto. Parecia que eu tinha feito direito. Claro, eu estava tendo um pouco de
dificuldade de desviar meus olhos dos dela, também. Igualmente deslumbrado. Era uma coisa boa
que eu havia memorizado esta estrada.
- E eu estarei na sua porta no sábado bem cedo - acrescentei, terminando o acordo.
Ela piscou rapidamente, balançando a cabeça como se tentasse limpá-la. - Um - ela disse, - não
ajuda muito minha situação com Charlie se um Volvo for inexplicavelmente deixado na calçada.
Ah, como ela me conhecia pouco. - Eu não estava pretendendo levar meu carro.
- Como – ela começou a perguntar.
Eu a interrompi. A resposta seria difícil de explicar sem uma demonstração, e agora não era a
hora. - Não se preocupe. Eu estarei lá, sem carro.
Ela inclinou a cabeça para um lado, e parecia por um segundo que ela iria pressionar por mais
informações, mas então ela pareceu mudar de idéia.
- Já é mais tarde? - ela perguntou, recordando-me de nossa conversa inacabada no refeitório
hoje; ela abriria mão de uma pergunta apenas para retornar para outra que era menos prazerosa.
- Eu acho que é mais tarde - eu concordei contra minha vontade.
Eu estacionei em frente a sua casa, ficando tenso enquanto tentava pensar numa maneira de
explicar… sem deixar minha natureza monstruosa muito evidente, sem assustá-la de novo.
Ela esperou com a mesma máscara educadamente interessada que havia vestido no almoço. Se
eu estivesse menos nervoso, sua calma absurda teria me feito rir.
E você ainda quer saber por que não pode me assistir caçando? - perguntei.
- Bem, eu estava mesmo refletindo sobre sua reação - ela disse.
- Eu te assustei? - eu perguntei, certo de que ela negaria.
- Não.
Eu tentei não sorrir, e falhei. - Peço desculpas por ter te assustado. - E então meu sorriso
desapareceu junto com o humor momentâneo. - É que apenas o pensamento de tê-la ali… enquanto
caçamos.
- Isso seria ruim?
A figura mental era demais – Bella, tão vulnerável na escuridão vazia; eu mesmo, fora de
controle… tentei bani-la da minha mente. - Extremamente.
- Porque…?
Eu respirei fundo, me concentrando por um momento na sede que me queimava. Sentindo-a,
controlando-a, provando meu domínio sobre ela. Ela nunca me controlaria novamente – eu torci para
que isso fosse verdade. Eu seria seguro para ela. Eu encarei as nuvens bem-vindas sem realmente
vê-las, desejando poder acreditar que minha determinação faria alguma diferença se eu estivesse
caçando e cruzasse com seu cheiro.
- Quando nós caçamos… nos entregamos a nossos sentidos - eu lhe disse, pensando em cada
palavra antes de pronunciá-la. - Somos menos governados por nossas mentes. Especialmente por
nosso olfato. Se você estivesse em algum lugar perto de mim quando eu perdesse o controle dessa
forma…
Eu balancei a cabeça agoniado com o pensamento do que iria – não do que poderia, mas do que
iria – certamente acontecer então.
Eu escutei seus batimentos se acelerando e depois acalmando, e então me virei, inquieto, para
ler seus olhos.
A expressão de Bella estava composta, seus olhos graves. Sua boca estava crispada
suavemente, no que eu pensei que fosse preocupação. Mas preocupação com o quê? Sua própria
segurança? Ou minha angústia? Eu continuei a encará-la, tentando traduzir suas expressões ambíguas
para fatos.
Ela me olhou de volta. Seus olhos se arregalaram após um instante, e suas pupilas dilataram,
apesar da luz não ter mudado.
Minha respiração acelerou, e de repente o silêncio no carro parecia um zunido, exatamente
como na aula de Biologia esta tarde. A corrente elétrica circulava entre nós novamente, e meu desejo
de tocá-la era, brevemente, mais forte até mesmo que as demandas da minha sede.
A eletricidade pulsante me fez sentir como se eu tivesse uma pulsação de novo. Meu corpo
cantava com ela. Eu me senti quase… humano. Mais do que tudo no mundo, eu queria sentir o calor
de seus lábios contra os meus. Por um segundo, lutei desesperadamente para encontrar a força, o
controle, para ser capaz de colocar minha boca tão próxima de sua pele…
Ela aspirou de forma rasgada, e apenas então eu percebi que, quando eu comecei a respirar
mais rápido, ela simplesmente parou de respirar.
Eu fechei meus olhos, tentando quebrar a conexão entre nós.
Sem mais erros.
A existência de Bella era suspensa por milhares de processos químicos delicadamente
equilibrados, todos tão facilmente interrompidos. A expansão rítmica de seus pulmões, o fluxo de
oxigênio, era vida ou morte para ela. A ondulação rítmica de seu frágil coração poderia ser parada por
tantos acidentes estúpidos ou por doenças ou… por mim.
Nenhum membro de minha família hesitaria se a ele ou ela fosse oferecida a chance de retornar
– se ele ou ela pudesse trocar a imortalidade por mortalidade de novo. Qualquer um de nós suportaria
queimar por isso. Queimar por quantos dias ou séculos fosse necessário.
A maioria dos nossos semelhantes valorizava a imortalidade sobre todas as outras coisas. Havia
até mesmo humanos gananciosos por ela, que procuravam em lugares escuros por aqueles que
poderiam lhe dar o mais negro dos presentes…
Não nós. Não a minha família. Nós trocaríamos tudo por sermos humanos.
Mas nenhum de nós já havia estado tão desesperado por uma maneira de retornar como eu
estava agora. Eu encarei as microscópicas cavidades e falhas no pára-brisas, como se houvesse
alguma resposta escondida no vidro. A eletricidade não havia desaparecido, e eu tive que me
concentrar para manter minhas mãos no volante.
Minha mão direita começou a formigar sem dor novamente, como quando eu a havia tocado
antes.
- Bella, eu acho que você devia entrar agora.
Ela obedeceu de imediato, sem comentar, saindo do carro e fechando a porta atrás de si. Teria
ela sentido o potencial para o desastre tão claramente quanto eu?
Doía para ela ter que partir, como doía para mim deixá-la ir? O único consolo era que eu a veria
logo. Mais cedo do que ela veria a mim. Eu sorri com a idéia, e então desci o vidro da janela e me
inclinei para falar com ela mais uma vez – era mais seguro agora, com o calor de seu corpo fora do
carro.
Ela virou para ver o que eu queria, curiosa.
Ainda curiosa, apesar de ter feito tantas perguntas para mim hoje. Minha própria curiosidade
estava completamente insatisfeita; responder suas questões hoje havia apenas revelado a ela meus
segredos – eu havia conseguido pouco dela, por meio de minhas próprias conjecturas. Isso não era
justo.
- Oh, Bella?
- Sim?
- Amanhã é minha vez.
Sua testa se enrugou. - Sua vez de quê?
- Fazer as perguntas. - Amanhã, quando estivéssemos num lugar mais seguro, cercados por
testemunhas, eu obteria minhas próprias respostas. Eu sorri com o pensamento, e então me virei,
porque ela não havia feito menção de partir. Mesmo com ela fora do carro, o eco da eletricidade zunia
no ar. Eu queria sair, também, e acompanhá-la até a porta, para ter uma desculpa para ficar ao seu
lado…
Sem mais erros. Eu pisei no acelerador, e então suspirei enquanto ela desaparecia atrás de mim.
Eu me sentia como se estivesse sempre correndo na direção de Bella ou correndo para fugir dela,
nunca ficando no lugar. Eu teria que encontrar alguma maneira de manter meu chão, se nós
fossemos algum dia ter um pouco de paz.

Eu não usaria a palavra linda para descrever a Lua. Não com você bem aqui para fazer a comparação. (Edward e Bella em Breaking Dawn).
“You could run from someone you feared, you could try to fight someone you hated. All my reactions were geared toward those kinds of killers – the monsters, the enemies. When you loved the one who was killing you, it left you no options. How could you run, how could you fight, when doing so would hurt that beloved one? If your life was all you had to give your beloved, how could you not give it? If it was someone you truly loved?” -Bella Swan






